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Papiloma

Escrito por: | 16 de janeiro de 2013 | Doenças, Dúvidas, Estomatologia, Patologia Oral, Resumos - 9 Comentários

papiloma 

O papiloma escamoso é uma proliferação benigna do epitélio escamoso estratificado, que resulta em uma massa papilar ou verrucosa. Presumivelmente, a lesão é induzida pelo papilomavírus humano (HPV). O HPV encerra uma grande família de viroses de duplo filamento de DNA do subgrupo A do papvavírus. Recentes pesquisas mostram que 81% dos adultos normais possuem células epiteliais bucais que obtém pelo menos um tipo de HPV, embora estudos de casos controlados, usando critérios mais rigorosos, em geral revelem diferenças distintas, com níveis elevados de HPV nas lesões bucais e níveis baixos nos grupos normais de controle.

O vírus é capaz de se tornar totalmente integrado ao DNA da célula hospedeira, e pelo menos 24 tipos estão associados com lesões da cabeça e pescoço. O HPV pode ser identificado por técnicas de hibridização in situ, análise imuno-histoquímica e reação em cadeia de polimerases (PCR), mas não é observado nas técnicas de coloração de rotina para estudos histopatológicos. Os subtipos virais 6 e 11 tem sido identificados em até 50% dos papilomas orais, em comparação com menos de 5% das células da mucosa normal.

O modo exato de transmissão é desconhecido. Diferentemente de outras lesões induzidas por HPV, as viroses, nessa lesão, parecem ter uma virulência e uma taxa de infectuosidade extremamente baixas. Tem sido sugerido um período de latência ou incubação de três a 12 meses. O papiloma escamoso ocorre em um de cada 250 adultos e constitui aproximadamente 3% de todas as lesões bucais biopsiadas.

 

Características clínicas

Os papilomas escamosos ocorrem com a mesma frequência em homens e mulheres. Alguns autores especulam que papilomas se desenvolvem predominantemente em crianças, porém os estudos epidemiológicos indicam que podem aparecer em qualquer idade; na verdade, são diagnosticados mais frequentemente nas pessoas com 30 a 50 anos de idade. Os locais de predileção são a língua, lábios e palato mole, mas qualquer superfície bucal pode ser afetada. Esta lesão é a mais comum das massas de tecido mole que surgem na língua e no palato mole.

O papiloma escamoso é um nódulo exofítico mole, indolor e geralmente pedunculado, com numerosas projeções superficiais semelhantes a dedos, que lhe dão uma aparência de “couve-flor” ou verruga. As projeções podem ser pontudas ou rombudas, e a lesão pode ser branca, vermelho-clara, ou de cor normal, dependendo da quantidade de ceratinização da superfície. Caracteristicamente, o papiloma é solitário e aumenta rapidamente para o tamanho máximo de aproximadamente 0,5 cm, com pequena ou nenhuma mudança depois disso. Entretanto, tem sido relatadas lesões que chegam a 3 cm no seu maior diâmetro.

Algumas vezes, é difícil distinguir clinicamente esta lesão da verruga vulgar, do condiloma acuminado, do xantoma verruciforme ou da hiperplasia epitelial focal. Além disso, as lesões papilares extensas que coalescem (papilomatoses) da mucosa bucal tem sido observadas em vários distúrbios de pele, incluindo o nevo unilateral, a acantose nigricans e a síndrome de hipoplasia dérmica focal (síndrome de Goltz-Gorlin). A papilomatose laríngea, uma doença rara com potencial para destruir a laringe e a hipofaringe, tem dois tipos distintos: (1) início juvenil e (2) início no adulto. A rouquidão é uma característica comum, e os papilomas rapidamente proliferantes no tipo juvenil podem obstruir as vias aéreas.


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Características histopatológicas

O papiloma é caracterizado por uma proliferação do epitélio escamoso estratificado ceratinizado, arranjado em projeções semelhantes a dedos, com áreas centrais de tecido conjuntivo fibrovascular. Os centros de tecido conjuntivo podem apresentar alterações inflamatórias, dependendo da quantidade de trauma provocado pela lesão. A camada de ceratina é espessa em lesões com uma aparência clínica mais branca, e o epitélio mostra tipicamente um padrão de maturação normal. Ocasionalmente, os papilomas mostram hiperplasia basilar e atividade mitótica, que podem ser confundidas com displasia epitelial branda. Os coilócitos, células epiteliais claras alteradas pelo vírus, com núcleo pequeno e escuro (picnócito), muitas vezes são observados nas camadas de células espinhosas superiores.

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Tratamento e Prognóstico

A excisão cirúrgica conservadora, incluindo a base da lesão, é o tratamento adequado para um paciente com papiloma escamoso, sendo improvável a recorrência. Frequentemente, muitas lesões são deixadas sem tratamento por anos, sem relatos de transformação maligna, aumento de tamanho contínuo ou disseminação para outras partes da boca.

As papilomatoses laríngeas juvenis tendem a proliferar continuamente, muitas vezes levando a morte por asfixia. As papilomatoses são tratadas por procedimentos cirúrgicos repetidos para remoção da maior parte da lesão afim de atenuar a obstrução das vias aéreas. Caracteristicamente, as lesões que se iniciam no adulto são menos agressivas e tendem a ser individuais. A remoção cirúrgica conservadora pode ser necessária para eliminar a rouquidão pelo envolvimento das cordas vocais. Em casos raros, desenvolvem-se carcinomas de células escamosas nas papilomatoses laríngeas de longo tempo de duração, muitas vezes em um paciente fumante ou com história de irradiação para a laringe.

 

Fonte: Neville

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Autor

DANIEL MOREIRA >>> Brasileiro, estuda na University of Kentucky nos Estados Unidos. É apaixonado por prótese, marketing e fotografia. Em 2010 criou este blog de variedades sobre a odontologia para apresentar de forma descontraída um conteúdo informativo e divertido sobre a saúde bucal. Adora escrever sobre notícias, curiosidades e humor odontológico. Preza pela ética e pela valorização e ama essa linda Profissão de Dentista. Twitter, Instagram e Snapchat: @PDentista / E-mail: contato@profissaodentista.com.br

9 Comentários "Papiloma"

  1. Alana Carvalho 17 de janeiro de 2013 às 12:25 am · Responder

    Estou adorando as publicações Daniel Moreira! É um grande reaprendizado, parabéns e obrigada por sua contribuição!

  2. Eliseu Lima 17 de janeiro de 2013 às 1:10 pm · Responder

    muito bom!

  3. Cynthia Kniss 17 de janeiro de 2013 às 4:12 pm · Responder

    adorei! e já encontrei.. alguns casos.. abraços.

  4. Edileide Souza 17 de janeiro de 2013 às 10:14 pm · Responder

    gostei do assunto por que não sabia, obrigado!

  5. Patrícia Rogério 17 de janeiro de 2013 às 10:49 pm · Responder

    ADOREI SEU BLOG!

  6. Apparecido Neri Daniel 19 de janeiro de 2013 às 10:21 pm · Responder

    Parabens Daniel!

  7. Vivian 1 de outubro de 2013 às 3:36 pm · Responder

    Olá Dr.Daniel, tenho 46 anos e em abril de 2012,
    retirei um papiloma escamoso do esôfago.
    E possível que ele volte ou se transforme em
    carcinoma?
    Já fiz outra endoscopia após 6 meses e graças
    a Deus nada havia.
    Obrigada, fico no aguardo!

  8. simone 17 de outubro de 2013 às 2:21 pm · Responder

    O texto está correto, mas a foto não corresponde a um papiloma escamoso.

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