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Miíase na Cavidade Oral

Postado por: | 26 de março de 2012 | Bizarro, Caso Clínico, Curiosidades, Dúvidas - 38 Comentários

O QUE É?

Doença parasitária provocada pela larva da mosca Dermatobia hominis. A larva da mosca penetra na pele do hospedeiro, que pode ser o homem ou outros animais, onde vai se desenvolver.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Após a penetração, começa a formar-se uma lesão nodular, avermelhada, com um orifício central, por onde é eliminada secreção aquosa (exsudato), levemente amarelada ou sanguinolenta. Podem ser uma ou mais lesões e atingir qualquer área da pele, inclusive o couro cabeludo. A doença provoca dor em fisgada e, em alguns casos, coceira.

Uma característica clínica que define o diagnóstico pode ser notada observando-se atentamente o orifício central da lesão. De tempos em tempos a larva sobe ao orifício para respirar e esta movimentação pode ser percebida claramente. Com a evolução, que pode durar entre 30 a 70 dias, a larva tende a deixar o orifício.

CLASSIFICAÇÃO

Quanto à produção de miíases, pode-se separar as larvas das moscas em três categorias de acordo com a biologia íntima das espécies. Na primeira categoria enquadram-se as denominadas larvas biontófagas, que são parasitas obrigatórias, que invadem a pele, orifícios naturais e cavidades, desenvolvendo-se às custas de tecidos vivos não necrosados e, comprometendo o homem ou o animal parasitado. Aqui, as espécies mais importantes são a Dermatobia hominis e o Oestrus ovis, pertencentes à família Oestridae  e a C. americana pertencendo à família Calliphoridae.

A segunda categoria compreende as larvas que invadem exclusivamente tecidos necrosados e, por nutrirem-se de tecidos em decomposição, são denominadas de necrobiontófagas. Raríssimas vezes essas larvas iniciam uma miíase como o agente causal primitivo, podendo, entretanto, aparecerem como saprófagas de feridas ou cavidades infestadas pelas espécies do grupo anterior e, pertencem a esta categoria as larvas do gênero musca, lucilia, etc…Numa terceira categoria, as miíases podem ser acidentais, que compreendem numerosos dípteros, cujas larvas podem ser encontradas no organismo humano, geralmente no tubo gastrintestinal, podendo mais dificilmente, invadir a bexiga, uretra ou ainda atacar feridas necrosadas.

As miíases são classificadas em dois grupos:

1. Grupo I: Miíases primárias:

a. miíase migratória causada por larvas do gênero Gasterophilus e Hypoderma, depositadas na pele de bovinos e eqüinos e, ocasionalmente no homem, sendo que a Hypoderma em algumas formas podem clinicamente ser confundidas com a dermatose serpinginosa (larvas migrans: bicho geográfico.

b. miíase furunculóide (berne) causada pela dermatóbia hominis.

2. Grupo II: Miíases secundárias:

a. miíase das ulcerações produzidas por larvas da Callitroga macellaria (mosca varejeira), do gênero Lucilia e da família sarcophagidae.

b. miíase cavitária da cavidade nasal, conduto auditivo e mais raramente do globo ocular e vias urinárias, causadas por larvas da Callitroga hominivorax.

c. miíase intestinal, ocasionada pela ingestão de alimento ou bebida contaminados com ovos ou larvas de dípteros.

De acordo com a localização das larvas, as miíases são divididas nos seguintes grupos:
  1. Cutâneas;
  2. Cavitárias: nasais, oculares, auditivas, urinárias e bucais e,
  3. Intestinal.

TRATAMENTO

  • Limpar a ferida
  • Retirar larva por larva com uma pinça
  • Fazer curativos
  • Usar medicação, mediante indicação médica, para eliminar as ovas postas pelas larvas que foram removidas

SUGESTÕES PARA O TRATAMENTO

Quanto à terapêutica, postula-se que além das aplicações tópicas paliativas, a única verdadeiramente eficaz é a remoção cirúrgica. Nas miíases cavitárias a preocupação fundamental é a remoção mecânica das larvas, evitando-se rompê-las no interior da cavidade, o que tornaria difícil a cicatrização posterior, seguindo-se obrigatoriamente uma lavagem com soro fisiológico e anti-séptico da lesão.

Recomenda-se a remoção das larvas e, após esse procedimento deve-se irrigar a área afetada com solução de hipoclorito de sódio, soro fisiológico Tergentol a 10%, solução anti-séptica e anestésico local, como posterior tratamento da lesão.

Melhor que qualquer tipo de tratamento é a profilaxia destas afecções, que está diretamente relacionada ao modo de infestação. Nas miíases cutâneas, tem-se que evitar a deposição pelas moscas, de ovos ou larvas sobre a pele. Nas cavitárias costuma-se ressaltar a constante vigilância individual, principalmente nos pacientes com otorreia, rinites, ulcerações, etc…, a fim de evitar também, a deposição de larvas e ovos desses dípteros sobre as cavidades em estado patológico.

Usa-se atualmente o medicamento Revectina – 6 mg (Ivermectina) na base de 6mg de 8/8 hs, até que o parasita venha a sucumbir ou 150 a 400 mg/kg/dia. Tem-se mostrado muito eficiente no tratamento das miiases.

CONCLUSÕES

Pela apresentação dos casos, assim como pela análise de toda a literatura compulsada, parece lícito concluir-se que:

  1. A miíase bucal é uma afecção rara, predominante em população rural e, em pacientes com problemas mentais e senilidade entre outras que limitam os indivíduos, e/ou casos de alcoolismo, respiradores bucais, hábitos de roncar, que adormecem ao ar livre e, com a boca aberta durante o dia.
  2. A má higiene bucal, com lesões e odor fétido, atua como atrativo para as moscas fertilizadas depositarem seus ovos.
  3. O diagnóstico dessa lesão é sempre clínico e o tratamento mais recomendado é a remoção mecânica das larvas, com irrigação com soro fisiológico e Tergentol a 10%.
  4. O uso de anestesia é recomendado em casos de pacientes com problemas mentais e, quando as larvas se encontrarem profundamente nos tecidos, muitas vezes comunicando-se com estruturas anatômicas importantes, como o seio maxilar e as fossas nasais.
  5. A prevenção deve ser sempre recomendada através de curso, conferências e palestras, em locais onde se observa maior ocorrência dessas condições.

As medidas de proteção, individuais e coletivas, são as principais formas de prevenção da instalação da miíase. Entre elas, telar portas e janelas de dependências domésticas ou hospitalares que abriguem pacientes portadores de lesões ou de qualquer condição predisponente à instalação da miíase. Evitar exposição de feridas abertas, ulcerações com tecido necrosado, eczemas infectados, manter boa higiene individual, combater as moscas produtoras de miíase.

Considerando que embora a ocorrência da miíase seja rara na Odontologia, haja vista o pequeno número de trabalhos citados na literatura compulsada, seu conhecimento é importante para a eventualidade do profissional odontólogo se deparar na prática clínica, com um possível caso dessa infestação.

Fontes do texto acima: Artigo 1 (miíase na cavidade oral), Artigo 2 (Miíase oral )  e Wikipédia

Veja o vídeo abaixo:

Marketing do Dentista no programa CQC
Prótese Total FIXA e CIMENTADA

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38 Comentários "Miíase na Cavidade Oral"

  1. Leidilene Rocha 28 de março de 2012 às 11:04 am · Responder

    Gostei muito da matéria, apesar da repugnância que causa é bom ver e sentir até que ponto a falta de higiene e cuidados com o corpo em geral podem trazer.

  2. Fraan 28 de março de 2012 às 11:29 am · Responder

    cara muito bom isso!! gostei velho, sua pesquisa sobre a miíase é muito bem feita!!
    essas moscas são umas desgraçadas mesmo… mas eu acho que com quem cuida bem de sua higiene, tanto bucal,quanto do corpo e da casa, é difícil acantecer, já que elas cutem cheiro ruim e sujeira néh!!!
    mas parabéns, ta valendo sempre avisar o pessoalda cidade e do campo…
    abraçosssss

  3. Infotrilhas 28 de março de 2012 às 11:43 am · Responder

    Está ótimo o comentário, mas ou muda a larva (não é berne) ou muda o texto.

  4. Elaine 28 de março de 2012 às 11:59 am · Responder

    Daniel, parabéns pelo blog muito boa a matéria; agora nunca tinha visto esse situação(e olha q eu já vi foi coisa) é de chorar de ver um ser humano nessas condições……abç

  5. Natalia Ramos 28 de março de 2012 às 12:03 pm · Responder

    Olá Daniel, eu gostei muito desse ‘blog” se eu o posso assim chamar.

    Eu compartilhei essa foto no facebook e o pessoa só acha que é nojento ngm se preocupa em saber o que é e saber a origem dessas larvas.
    Isso é lamentável, as pessoas apenas acha que o paciente é nojento e não se cuida, más, como pude perceber essas larvas vem da mosca e pelo que também percebi elas pararam na boca do paciente porque em algum momento essa larva tocou vamos supor que em sua mão e ele pode ter colocado na boca, não necessariamente a mosca pousou em sua boca estou correta?
    Eu não sou da área más gosto muito desse assunto que se diz respeito a higiene bucal.
    Obrigado por postar esse vídeo.
    Att Natalia Ramos

  6. Dalvinha 28 de março de 2012 às 1:48 pm · Responder

    Este tipo de assunto, deveria ser divulgado com bastante enfase na TV , de varias formas, pois muitos adolescentes , e mesmo adultos nao fazem ideia dessa doença, divulgar principalmente em programas visto por adolescentes…..muito interessante e parabens a quem o postou.

  7. Carolina de souza pereira 28 de março de 2012 às 2:50 pm · Responder

    é não é facil essa profissão …. te m que ter muuuuiiiitttttaaaaa vocação.
    parabens

  8. Marcellinhasol 4 de abril de 2012 às 10:41 pm · Responder

    Parabéns pela publicação e pela informação. Isso sim deveria ser mais publicado!

  9. Yoshihatake 17 de maio de 2012 às 11:08 pm · Responder

    que nojo,mas que nojoooo!

    o cara tem q ter estômago de aço forte e blindado pra conseguir mexer com isso dai!

  10. Kamilafranciscadossantos 5 de junho de 2012 às 4:56 pm · Responder

    ta otimo

  11. Denise Sotero 15 de junho de 2012 às 11:45 pm · Responder

    q nojo

  12. Yasmim Chaves 19 de junho de 2012 às 4:16 am · Responder

    Parabéns

    • Paulinha Sales 19 de junho de 2012 às 4:16 am · Responder

      Dms !

    • Yasmim Chaves 19 de junho de 2012 às 4:20 am · Responder

      "A Saúde começa pela boca"

    • Murilo Amêndola 19 de junho de 2012 às 12:55 pm · Responder

      Afff que nojo amor!

    • Yasmim Chaves 19 de junho de 2012 às 2:35 pm · Responder

      Viu o vídeo inteiro amor?

    • Jonathan Sullivan Mason 29 de agosto de 2012 às 3:11 am · Responder

      Parabéns
      Cara isso foi muito bom

  13. Leuza Bentes 20 de junho de 2012 às 2:07 am · Responder

    ai que desespero!!!!!!!!!!!!!

  14. Gisele Cruz 23 de junho de 2012 às 3:57 am · Responder

    como pode chegar a esse estado

  15. Renan Casagrande 26 de junho de 2012 às 12:55 am · Responder

    Essas larvas são da espécie Cochliomya hominivorax (bicheira) e não da Dermatobia hominis (berne) que geralmente se apresenta isoladamente.

  16. Verginia Cortes 1 de julho de 2012 às 3:26 am · Responder

    um momento muito triste na vida de um ser vivo sendo comido por larvas….meu DEUS coitadinho do idoso…e de muitos pobres coitados que nós nem vemos …deve ser ..centenas de pessoas e animais com esses problemas horríveis..que as vezes nem sempre acabam bem…

  17. junior 8 de julho de 2012 às 8:13 pm · Responder

    nossa da nervoso que nojo!

  18. Lily Paiva 4 de agosto de 2012 às 4:07 pm · Responder

    que cena triste ..ainda bem que tem alguem pra ajudar estas pessoas ..

  19. Tais Ramiro 27 de agosto de 2012 às 8:16 pm · Responder

    Daniel, parabéns pela iniciativa, mas infelizmente a maioria nós , público leigo, não está preprada para receber esse tipo de informação. O caso que você apresenta aqui deve ser muito raro, se tiver os números seria bom divulgar. Caso possa trazer mais informações, mostre como se dá essa contaminação, quantas moscas são necessárias? Porque as pessoas esclarecidas que aqui expressaram seu entendimento como ser humano comentaram "ai que nojo", acham que mosca só aparece em lata de lixo ou casa suja, ou seja com elas isso NUNCA vai acontecer. E os restaurantes (seja de qual nível for) e fast-foods da vida? As moscas só não aparecem até onde os olhos dos clientes alcançam.

  20. Sabotage_2d 8 de setembro de 2012 às 10:35 pm · Responder

    Como que uma pessoa normal deixa aconteçer isso com uma pessoa que precisa de tratamentos especiais que sacanagem 
    ao mesmo tempo que senti nojo tbm fiquei com pena do paciente

  21. ALDO DE OLIVEIRA 24 de setembro de 2012 às 3:01 am · Responder

    PARABÉNS POR SUA DEDICAÇÃO E AMOR NO QUE FAZ.
    DEUS O ABENÇOE !

  22. Celinalvacarneiro-2012 29 de outubro de 2012 às 7:45 pm · Responder

    não entendo como alguém consegue viver com miíase

     

  23. Julia Guerilla Thrasher 16 de novembro de 2012 às 11:31 pm · Responder

    Krai q LOL

  24. Tinho CasaGrande 8 de janeiro de 2013 às 11:22 am · Responder

    Nossa! Chega a ser aterrorizante! Muita dó de ver um idoso numa situação dessa! Parabéns pelo profissionais que realizaram o tratamento.

  25. Daiana Silva 14 de abril de 2013 às 11:30 pm · Responder

    Muito mais que nojo senti tristeza de saber que como este senho pode existir outros nessas condicoes

  26. Vanusa Gomes 13 de agosto de 2013 às 1:36 am · Responder

    Será que nao dói? Coitado

  27. Hellem Lorena Souza 24 de agosto de 2013 às 3:45 am · Responder

    Meus deus como pode???

  28. Thaylane Martins 2 de setembro de 2013 às 8:10 pm · Responder

    Laís Nascimento e Louise Silva.. pensando muito se vou fazr….wh nojento.

  29. Rosana Vargas Santos 5 de setembro de 2013 às 5:31 pm · Responder

    PARABENS VC QUE REALIZOU ESSE TRABALHO SE FOSSE EM POSTO DE SAUDE ESSA PESSOA TERIA MORRIDO COM CERTESA PQ ELES ENROLAM TANTO E NÂO FAZEM NADA QUE PRESTA<DEUS È MAIS

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