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Cimento de Fosfato de Zinco

Postado por: | 7 de abril de 2012 | Materiais Dentários, Resumos, Uncategorized - 1 Comentário

Substância formada pela reação entre o pó de óxido de zinco e o líquido de ácido fosfórico, que pode ser usada tanto como base quanto como agente de cimentação.

O cimento de fosfato de zinco é o mais antigo dos agentes cimentantes. Portanto, é o cimento com mais longo tempo de vida clínica e serve como um padrão para que novos sistemas possam ser comparados. O fosfato de zinco é apresentado em forma de pó e líquido em dois recipientes separados.

CARACTERÍSTICAS

  • Baixo pH
  • Solubilidade 0,06%
  • Ácido – resposta pulpar (penetração – 1,5 mm) - Ácido fosfórico: tem uma resposta pulpar muito forte, pois penetra após a aplicação 1,5mm pelos canalículos dentinários. A molécula de fosfato é muito pequena e penetra bem. Pode causar necrose pulpar.
  • Usado em cimentações e forramento de cavidade
  • Restrito o uso em crianças (canalículos amplos) e a espessura da dentina é menor. Utiliza-se mais em adultos e mesmo assim se faz com a proteção antes do hidróxido de cálcio.

APRESENTAÇÃO

  • líquido

COMPOSIÇÃO

Pó:

  • óxido de zinco (90%)
  • óxido de magnésio (10%)

 Líquido:

  • ácido fosfórico
  • água
  • fosfato de alumínio
  • fosfato de zinco (em alguns casos)

PRESA

Quando o pó é misturado ao líquido, o ácido fosfórico ataca a superfície das partículas e libera íons zinco para o líquido. O alumínio, que forma um complexo com o ácido fosfórico, reage com o zinco, produzindo um gel de alumínio fosfato de zinco sobre a superfície da porção remanescente das partículas. Dessa forma, o cimento que já tomou presa é uma estrutura formada por núcleos constituídos de partículas de óxido de zinco que não reagiram, embebidas em uma matriz coesiva e amorfa de alumínio fosfato de zinco.

Corno a água é importante para a reação, a composição do líquido deve ser preservada para garantir reações consistentes de uma mistura para outra. Alterações na composição e na velocidade da reação podem ocorrer tanto pela degradação do líquido como pela evaporação de água de dentro do líquido. Isso significa que alterações na composição podem afetar a reação. Efeitos da degradação do líquido podem ser observados quando este se apresenta turvo com o passar do tempo. A perda de água do ácido pode retardar a reação de presa, enquanto a incorporação de água adicional durante a mistura acelera a reação.

CONSIDERAÇÕES

  • Porcentagem de água deve ser preservada no líquido: auto degradação ou evaporação geram alterações na reação (composição e velocidade)
  • O líquido tem vidro escuro para que não seja alterado pela luz.
  • A maioria dos líquidos evapora facilmente. Se não tampar, altera sua característica.
  • Preservar a água dentro do líquido, altera a velocidade da reação.
  • Mistura de marcas P/L diferentes, altera a manipulação e as propriedades físicas
  • Consistência varia com a finalidade do uso:  para o forramento é preciso de consistência espessa e para cimentação faz-se necessária a consistência fluida, mas em qualquer um, sempre terá mais pó (dá mais resistência), sempre o máximo de pó.

TEMPOS DE MANIPULAÇÃO

  • Tempo de espatulação: 1 minuto e 30 seg
  • Tempo de trabalho (variável): 5 minutos
  • Tempo de presa (variável): torno de 8 minutos

CONTROLE DO TEMPO DE TRABALHO

  • Relação P/L produz uma mistura mais fina, o que aumenta os tempos de trabalho e presa do cimento e essa mudança irá alterar as propriedades físicas resultando num menor pH.
  • Velocidade de incorporação do pó: pequenas quantidades geram menos calor e com isso, menor velocidade de reação, além de mais pó ser incorporado ao líquido. O pó divide-se em 6 vezes a 8 vezes.
  • Tempo de espatulação aumentado fragmenta a matriz e reduz o Tempo de presa e Tempo de trabalho.
  • Temperatura da placa resfriada retarda a reação de presa e diminui a viscosidade .

Obs: Por que o prolongamento do tempo de espatulação do cimento de fosfato de zinco pode aumentar o tempo de presa do cimento, enquanto o mesmo prolongamento do tempo de espatulação de produtos à base de gesso diminui o tempo de presa? Se um operador prolongar o tempo de espatulação do último incremento do cimento, a matriz que estava se formando será efetivamente destruída. A fragmentação desta matriz significa que um tempo extra é necessário para reconstruir o volume da matriz. Este fenômeno difere do observado nos gessos odontológicos, nos quais a fragmentação da matriz representa novos núcleos para cristalização, que são importantes no controle do tempo de presa e microestrutura do produto.

MANIPULAÇÃO

  • Medida P/L depende da consistência (quantidade máxima de pó): Tem que garantir o mínimo de solubilidade e máximo de resistência.
  • A prótese deve ser assentada imediatamente, antes que a formação de matriz ocorra. Após a restauração ter sido levada à posição, ela deve ser mantida sob pressão até que o cimento tome presa.
  • Placa resfriada: prolonga o tempo de trabalho e presa, e permite que o operador incorpore uma quantidade máxima de pó, antes que se processe a formação da matriz, chegando até um ponto em que a mistura se torna rígida.
  • O pó deve ser dividido em várias porções indicadas nas instruções dos fabricantes. A mistura é iniciada pela adição de uma pequena quantidade de pó, que é espatulada vigorosamente. Uma ampla área da placa deve ser usada.
  • O Líquido dispensado apenas no início da manipulação, uma vez que a água pode ser perdida por evaporação.
  • A consistência desejada deve ser sempre conseguida pela adição de mais pó, nunca permitindo que uma mistura fluida se forme, pois não será rígida. No caso de próteses parciais fixas, é necessário um tempo adicional para aplicar o cimento. Neste caso, uma pequena diminuição na viscosidade pode ser aceitável.
  • O excesso de cimento pode ser removido após a presa. Recomenda-se a aplicação de uma camada de verniz ou qualquer outra cobertura impermeável na margem. O objetivo da camada de verniz é possibilitar um tempo maior para a maturação do cimento e para que este desenvolva maior resistência à dissolução nos fluidos orais.

PROPORCIONAMENTO E MANIPULAÇÃO

  • Adição P/L em pequenas quantidades (15″ a 20’’)
  • Tempo de Espatulação é crítico: 1,5 a 2 minutos
  • Uso amplo da placa

PROPRIEDADES

  • Resistência à compressão: 104 Mpa
  • Resistência à tração: 5,5 Mpa
  • Elasticidade de 13,7 GPz
  • Faz bem o embricamento mecânico
  • É o melhor isolante térmico e elétrico de todos os meteriais (comparado a cortiça)
  • Ele é muito resistente, podendo suportar deformações elásticas, mesmo quando é usado como agente de cimentação de restaurações sujeitas a altas tensões mastigatórias.
  • Redução na relação P/L e a perda ou ganho do conteúdo de água no líquido causa redução da resistência à compressão de a tração do cimento
  • O aumento da resistência obtido por meio da adição de pó além da quantidade recomendada é modesto, quando comparado à redução da resistência ocorrida pela diminuição da quantidade de pó na mistura
  • A adesão principal/retenção do cimento ao dente se dá por embricamento mecânico, e não por meio de interações químicas, e qualquer cobertura aplicada sobre a estrutura dentária para proteção pulpar reduzirá a retenção.
  • Isolamento térmico (cortiça) e elétrico
  • pH em 2 min. = 2,0. pH em 24 h = 5,5 (A partir desses dados, fica evidente que qualquer dano à polpa causado pelo condicionamento do ácido do cimento de fosfato de zinco provavelmente ocorre durante as primeiras horas após a colocação. )

OBS: A prótese poderá deslocar-se se o cimento subjacente for tencionado além de sua resistência. A alta solubilidade pode induzir à perda do cimento necessário para a retenção e pode criar sítios de retenção de placa.

Cuidados com o uso do fosfato de zinco

  • Usar em pacientes adultos  e o primeiro forramento sempre tem que ser com o hidróxido de cálcio (cimento, não é a solução). Pode-se também usar o adesivo dentário que isola muito bem.

 FORRAMENTO

  • 1º forramento – hidróxido de cálcio
  • 2º forramento – fosfato de zinco

 CiMENTAÇÃO

  • Forramento com hidróxido de cálcio ou
  • Adesivo dentinário e cimentação com o
  • Fosfato de zinco

Material protetor ideal

  • Ser agente bactericida ou inibir a atividade bacteriana, esterilizando a dentina sadia e a afetada, nas lesões cariosas profundas
  • Aderir e liberar flúor à estrutura dentária
  • Remineralizar parte da dentina descalcificada e/ou afetada remanescente nas lesões de rápida evolução
  • Proteger o complexo dentino/pulpar de choques térmico e elétrico
  • Hipermineralizar a dentina sadia subjacente após a remoção mecânica da dentina (esclerose dos túbulos dentinários)
  • Estimular a formação de dentina terciária ou reparadora nas lesões profundas ou exposições pulpares
  • Ser anódino, biocompatível e manter a vitalidade pulpar
  • Estimular a formação de nova dentina (barreira mineralizada) nas proteções diretas, curetagens e pulpotomias
  • Inibir a penetração de íons metálicos das restaurações de amálgama para a dentina subjacente, prevenindo assim a descoloração (escurecimento) do dente
  • Evitar a infiltração de elementos tóxicos ou irritantes constituintes dos materiais restauradores e dos agentes cimentantes para o interior dos canalículos dentinários e polpa
  • Aperfeiçoar o vedamento marginal das restaurações, evitando a infiltração de saliva e microrganismos pela interface parede cavitária/restauração.

Verniz Cavitário Simples e Modificado
Hidróxido de Cálcio

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Um Comentário "Cimento de Fosfato de Zinco"

  1. Júlio 25 de outubro de 2012 às 2:41 pm · Responder

    Dr. Daniel Moreira,

    Tenho um problema absolutamente diverso de qualquer coisa odontológica. Mas preciso de um dentista para resolvê-lo e espero sua ajuda.

    É o seguinte: faço parte de um fórum na internet onde se discute assuntos ligados ao ciclismo. Uma questão que surgiu é a seguinte: qual seria o melhor material para se preencher um sulco (um arranhão) na “canela” suspensão (a haste metálica móvel de um amortecedor hidráulico). Uma das opções foi exatamente o “cimento de dentista”, que deve ser esse fosfato de zinco mencionado no seu excelente site.

    O tal sulco é causado pelo atrito da suspensão com alguma partícula dura (provavelmente um grão de areia), provoca o vazamento de óleo, enfim, é um defeito que queremos consertar nas suspensões das nossas bikes.

    Na sua opinião, 

    1) O fosfato de zinco teria boa aderência ao metal?
    2) Ele pode ser lixado depois de aplicado?
    3) Há algum outro material que o senhor recomendaria para o mesmo objetivo?

    Agradeço antecipadamente pela sua opinião e disponibilidade. 

    Júlio de Faria Júnior
    jfariajr@yahoo.com.br

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