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Anatomia Interna Dental

Postado por: | 9 de junho de 2013 | Endodontia, Resumos - Nenhum comentário

Para realizarmos um tratamento de canal, antes precisamos estudar detalhadamente a anatomia interna dos dentes, bem como entender que apenas a radiografia trará uma visão bidimensional com empobrecimento de detalhes importantes, por isso se faz necessário um estudo aprofundado sobre o assunto, buscando entender melhor quais são as suas normalidades e variações anatômicas mais frequentes.

Considerações Iniciais

endo1Coroa: Porção livre do Dente. Internamente temos a câmera pulpar.
Raiz: Porção do dente implantada no osso. Internamente temos o canal radicular. Podem ser:

  • Unirradiculares: com um raiz;
  • Birradiculares: com duas raízes;
  • Multirradiculares: com mais raízes.

Obs: Cada raiz, normalmente apresenta, um ou dois canais. Se houver dois canais em uma raiz, geralmente é por achatamento proximal acentuado.

Cavidade Pulpar (Endodonto)

  • Reproduz a morfologia externa do dente
  • Composta pela Polpa Dentária (tecido conjuntivo frouxo com odontoblastos), único tecido mole do dente, protegida pela dentina coronária e radicular.
  • Dividida em duas partes: câmera pulpar e canal radicular.

Obs: O ligamento periodontal é tecido conjuntivo denso.

 

Câmera Pulpar

endo2Pode possuir de 5 a 6 faces, porque o número faces que compõe a câmera pulpar depende do número de canais que o dente contém e do grupo dental a que pertence. Se houver apenas um canal, haverá 5 faces sem o assoalho, mas se houver dois canais, haverá 6 faces contanto com o assoalho.

  1. Teto ( ou parede Incisal-oclusal)
  2. Parede Mesial
  3. Parede Distal
  4. Parede Vestibular
  5. Parede Lingual ou Palatina
  6. Assoalho

Ex: Incisivos e caninos, com apenas um canal, possuem 5 faces, sem assoalho. Pré-molares e molares superiores ou inferiores que contém mais de um canal a câmera pulpar possui 6 faces, contando com o assoalho.

Obs1: O assoalho é acinzentado, convexo e liso, e ele não deve ser modificado durante o acesso pois este facilita encontrar os canais radiculares com a utilização da sonda exploradora, e uma vez danificado, ficará muito difícil encontrar os canais.

Obs2: As paredes internas da câmera pulpar são irregulares possuindo convexidades (devido a deposição de dentina) e concavidades (que podem esconder a entrada dos canais radiculares).

Obs3: Durante o acesso o teto tem que ser removido por três motivos: 1-As áreas de divertículos podem conter restos de polpa, hipoclorito, cimento, causando escurecimento dental; 2-Remanescentes do teto dificultam a visualização do canal; 3-Pode causar tensão nos instrumentos (limas) e causar fraturas.

 

Canal Radicular

Seu início se confunde com o término da câmera pulpar nos dentes portadores de um canal. Geralmente estão a nível de colo anatômico do dente. Nos dentes com mais de um canal começa no assoalho da câmera pulpar.

O canal radicular é dividido em:

  • Canal Dentinário: É mais longo, preenchido pela polpa (tec. conj. Frouxo com odontoblastos) e coberto pela dentina.
  • Canal Cementário: É mais curto (terço apical 0,7 mm), preenchido por ligamentos periodontais (tec. Conj. Denso sem odontoblastos) e coberto por cemento. Também chamado de Coto Pulpar.

Obs: Os dois são delimitados pelo limite CDC (cemento-dentina do canal).

endo3

Sistema de Canais Radiculares

endo4

O canal radicular pode ser bem variável a medida que vai variando de região pode existir um canal que se bifurque, ou que em determinado terço da raiz sofra um achatamento através de um hístimo (espaço estreito que liga dois canais). O hístimo pode estar em qualquer terço, e o clínico tem que está atento para localizá-lo.

Um canal que desemboque antes da região apical deve ser analisado se ele tem uma comunicação ou não com o ligamento periodontal. Caso não haja, uma limpeza feita com irrigação não causará insucesso pois o foco de infecção fica confinado em um mesmo local

Forame Apical

endo5É uma abertura localizada na região do canal cementário que se comunica com os tecidos perirradiculares, onde entra uma arteríola e sai uma vênula. Na maioria dos dentes esse forame apical não coincide com o ápice das raízes, geralmente sua localização é peri-apical. O Delta Apical é a finalização do canal em várias foraminas no terço apical, muito comum em pré-molares e molares e sendo raro em incisivos e caninos. Esses canais devem ser todos limpos quimicamente para evitar o risco de insucesso do tratamento.

Localização topográfica do forame em dentes humanos

O forame apical distancia-se do ápice radicular, podendo esta distância variar entre 0,5 à 3,0mm, lateralmente da raiz, com maior freqüência para distal: D – 48%.

C- centro do ápice.

endo 6
Tipos de Dentina

  • Dentina Primária: Depositada por odontoblastos até a formação completa do dente (rizogênese). É aquela que se forma quando o dente ainda não está totalmente formado, apresenta muitos canalículos dentinários e a sua dentinogênese processa-se com grande velocidade (4 a 8um diários), ela é depositada até o término da formação da raiz.
  • Dentina Secundária: Depositada em toda a cavidade pulpar como forma de proteção a agressões do meio externo (ex: calor, frio), e devido ao tempo/idade do dente na boca.
  • Dentina Terciária (reacional ou esclerosada): Só é depositada devido a agressões mais intensas como tentativa de proteger a polpa. Ex: Cárie.

 

Fatores para o sucesso do Tratamento Endodôntico

  • Conhecimento da câmera pulpar;
  • Localização dos canais na câmera pulpar;
  • Limpeza (debrimento e desinfecção) feita durante a instrumentação dos canais;
  • Obturação total dos canais para o não desenvolvimento de bactérias;
  • Observar a idade do paciente, pois em idades mais avançadas (idosos) ele pode ter canais atrésicos (diminutos) o que causa uma grande dificuldade de tratamento.
  • Observar também os dentes que sofrem muitos traumatismos com grande número de restaurações e traumas diversos, pois a dentina se espessa para proteger a polpa.
  • Observar as reabsorções internas, onde a polpa dentária cronicamente inflamada não causa dor e deve ser logo diagnosticada e retirada.

 

Fatores para o Insucesso do Tratamento Endodôntico

  • Deixar o teto da câmera pulpar pode acumular resto de polpa ou material e causar escurecimento do dente;
  • Não retirar a convexidade de dentina que fica loco na embocadura dos canais radiculares, corre o risco de não encontrar os canais ou não instrumentá-los corretamente;
  • Usar os instrumentos de forma incorreta nos incisivos laterais superiores;
  • Não saber a direção correta de abertura coronal rompendo com o assoalho;
  • Usar brocas de pescoço longo que pode perfurar o assoalho. O ideal é que seja de pescoço curto e a cabeça do contra-ângulo impedirá que a broca entre toda tranzendo assim uma margem maior de segurança.

 

Particularidades de cada dente

Incisivo Central Superior
• São fáceis de restaurar;
• Câmera pulpar é maior mésio-distal do que vestíbulo-lingual;
• Canal radicular único e reto.

Incisivo Lateral Superior
• Está envolvido com cistos odontogênicos que acometem a região do palato, isso ocorre devido a sua raiz ser curva para a palatina, então quando sua polpa está necrosada a inflamação caminha para palatino e o efeito inflamatório faz surgir o cisto.
• Na maioria das vezes sua raiz é curva e para palatino (mas na radiografia aparece reta);
• Para tratamento endodôntico deve-se utilizar um instrumental que seja flexível para acompanhar a sua curvatura;
• Apresentam um sulco radicular chamado de depressão radicular, localizado na região de cíngulo que se mostra como uma radiolucidez. Sendo essa região um local propício para o acúmulo de biofilme contribuindo para a invasão da câmera pulpar e infecção da polpa por bactérias.

Canino Superior
• Dente longo e com raiz fina;
• Geralmente são unirradiculares onde sua maior dimensão é vestíbulo-lingual, como forma ovalada até o terço médio e terço apical com forma circular;
• Os depósitos de dentina se localizam mais nas paredes palatinas;
• São fáceis de trabalhar.

Pré-molares Superiores
• Podem ser uni ou birradiculares;
• Primeiro pré-molar na maioria das vezes apresenta-se com dois canais;
• Os canais geralmente são atrésicos e possuem curvaturas no terço apical, quanto mais apical a bifurcação, mais difícil será a localização deles;
• Canal palatino é mais amplo e fica distante da região da furca no teço médio, ideal para quando for feita a colocação de um pino;
• Raramente pode ter três canais e três raízes.

Molar Superior
• Possuem três raízes (mésio-vestibular, disto-vestibular e palatina);
• Na maioria dos casos (90%) possuem quatro canais: 1 canal na raiz palatina (raiz mais robusta), 1 canal na disto-vestibular (raiz mais diminuta), sendo o menor canal de todos os quatro; 2 canais na mesio-vestibular (um mais para vestibular e o outro mais para lingual, chamados de mesio-vestibular e mesio-palatino);
• Os canal da raiz mesio-vestibular podem ser um que se tornou dois formar dois que terminam em forames distintos ou podem ser dois e se uniram em um único forame;
• O 4º canal se encontra em 93% dos primeiros molares e 60% dos segundo molares.

Incisivos Inferiores
• São similares aos superiores;
• Possuem um sulco na raiz que achata na mesial e distal;
• No canal existe um depósito de dentina que pode dividi-lo em dois outros canais que terminam em dois outros forames; Basta observamos na radiografia um canal que começa radiolúcido e ao longo do seu percurso ele vai perdendo a nitidez, significando que possui dois canais.
• O canal é em forma de fita que vai afunilando, sendo difícil instrumentá-lo.

Canino Inferior
• Pode ser achatado e ter dois canais

Pré-molar Inferior
• O 1º Pré-molar pode ser bem variável anatomicamente, podendo ter, 1, 2, 3 canais e sua raiz pode ser única ou bífida.
• Podem, algumas vezes, ter uma coroa bem inclinada para lingual dificultando muito o tratamento endodôntico uma vez que o eixo da coroa não é o mesmo que a raiz.

Molares Inferiores
• Possui duas raízes (mesia e distal) e três canais (distal mais amplo e na região central e dois na mesial, mesio-vestibular e mesio-lingual, mais na parede mesial), raramente pode ter quatro canais (dois na mesial e dois na distal);
• As paredes circundantes possuem depósitos de dentina bem evidentes que devem ser retiradas por desgastes compensatórios, feitas com brocas que não desgastem o assoalho (brocas com ponta inativa que não cortam na ponta, mas desgastam na lateral. Ex: Endo-Z, 3082).

Fonte de Pesquisa: De Deus, Endo-E.com (Erico Lemos), Profa. Ines Jacyntho Inojosa

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